Largar as telenovelas, cair nas graças de cineastas estrangeiros, distribuir ao menos um autógrafo pelas ruas da Big Apple, paquerar o galã da temporada e, quem sabe, desfilar pelo tapete vermelho da Academia. Suposta aspiração do time de atores da nova geração que procura exportar seu talento para territórios além-tupiniquins, dar o primeiro passo em direção ao reconhecimento internacional tornou-se motivo de cobiça. O alvo mais óbvio é a terra do Tio Sam, com seus holofotes ofuscantes, letreiros épicos e calçadas da fama. Outros, menos deslumbrados, escolhem países fora do grande circuito comercial do cinema e estrelam filmes que se distanciam domainstream.
Na corrida em que poucos ousam participar e muitos desistem no caminho, alguns nomes alcançaram o outro lado da fronteira e posicionaram o Brasil no disputado grupo de países com potencial mercadológico junto aos grandes estúdios. Aqueles que recebem tal honraria podem se contentar com seus 15 minutos de fama internacional ou, como é mais raro, tentar abocanhar outra fatia de sucesso. Exemplos não faltam… e abaixo destrinchamos a história de dois nomes que levam o Brasil para o exterior.
Para o alto e avante!
Bem mais raros que aqueles que se contentam com uma semana de sucesso em Hollywood são aqueles que conseguiram o passe livre para um segundo projeto de peso. E o que dizer daqueles que estamparam o nome em, pelo menos, sete produções que envolviam grandes astros, grandes diretores ou orçamentos absurdos? Aos 28 anos, a paulista Alice Braga exibe um currículo que coloca os grandes nomes da dramaturgia nacional em posição complicada: depois de se tornar conhecida por seu papel em “Cidade de Deus”, Alice atuou ao lado de Diego Luna no filme “Solo Diós Sabe”, uma parceria entre Brasil e México, e viu sua carreira dar um salto em direção ao exterior.
Alice Braga em “O Ritual”, “Território Restrito” e “Predadores”.
Alice já trabalhou com Brendan Fraser (“12 Horas Até o Amanhecer”), Will Smith (“Eu Sou a Lenda”), Julianne Moore, Mark Ruffallo e Gael García Bernal (“Ensaio Sobre a Cegueira”), Harrison Ford (“Território Restrito”), Jude Law e Forest Whitaker (“Os Coletores”), Adrien Brody (“Predadores”) e Anthony Hopkins (“O Ritual”). Também já foi dirigida por um dos cineastas mais respeitados dos Estados Unidos, David Mamet, no filme “Cinturão Vermelho”. Para os próximos anos, outras produções de peso foram anunciadas: “On The Road”, baseado na obra homônima de Jack Kerouac, com direção de Walter Salles e elenco formado por Kristen Stewart, Kirsten Dunst, Viggo Mortenses e Amy Adams, e “Elysium”, ficção científica do mesmo diretor de “Distrito 9”, com Matt Damon e Jodie Foster.
Alguns passos atrás de Alice está Rodrigo Santoro, veterano galã das novelas brasileiras. O ator teve seu talento reconhecido nacionalmente em duas produções de 2001, “Bicho de Sete Cabeças” e “Abril Despedaçado”. Dois anos depois, recebeu sua primeira oportunidade: iria sair do mar, segurando uma prancha de surf, sob os olhares lascivos de Demi Moore, em “As Panteras Detonando”. Seus poucos segundos em cena e seu rostinho bonito foram motivos suficiente para uma nova chance, e Santoro apareceu em “Simplesmente Amor”, ao lado de nomes de peso como Colin Firth, Liam Neeson e Emma Thompson. Em 2006, o ator deu vida ao fabuloso rei da Pérsia, Xerxes, no épico “300”, e logo em seguida abocanhou outro papel na terceira temporada do seriado fenômeno “Lost”. Com “Che”, do respeitado diretor Steven Soderbergh, e ao lado de Jim Carrey, na comédia “O Golpista do Ano”, Santoro conseguiu manter seu nome sob a mira dos holofotes norte-americanos.
Rodrigo Santoro em “Simplesmente Amor”, “300″ e “O Golpista do Ano”.
Para os próximos anos, algumas novas produções podem alavancar a carreira do ator: o filme “Hemingway e Gellhorn”, sobre a relação do escritor e sua musa inspiradora, pensado exclusivamente para a TV americana, deve colocar Santoro ao lado de Nicole Kidman e Clive Owen. Já em “Falling Slowly”, é Mandy Moore que deve contracenar com o ator em um drama sobrenatural.
Jáder Santana é crítico do CCR desde 2009 e estudante de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Experimentou duas outras graduações antes da atual até perceber que 2 + 2 pode ser igual a 5. Agora, prefere perder seu tempo com teorias inúteis sobre a chatice do cinema 3D.